Sensores identificarão movimentos de encostas em Salvador

Mais de mil funcionários da Prefeitura de Salvador estarão em alerta a partir do dia 1° de abril para mais uma Operação Chuva. Equipes estarão de plantão 24h para atender solicitações de emergência envolvendo deslizamentos, alagamentos e outras ocorrências relacionadas ao mau tempo.

Para o ano de 2017, a cidade vai contar com um reforço na área tecnológica para prevenir desastres naturais. Um projeto piloto da Prefeitura de Salvador feito em parceria com a startup gaúcha vai permitir o monitoramento em tempo real da movimentação das encostas do bairro de Bom Juá.

Sensores de inércia e de ruptura serão instalados para identificar qualquer deslocamento que sinalize perigo para moradores de determinada região. “Os sensores serão enterradas na encosta e enviarão sinais para a Central de Monitoramento”, explicou o diretor geral da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Ferraz. Se a iniciativa for bem sucedida, será implantada em outros bairros em 2018.

Além disso, será implantado um software para visualização de dados meteorológicos e de terrenos no Centro de Monitoramento e Alerta de Defesa Civil (Cemadec). O sistema produzirá gráficos que sinalizarão o nível de alerta para aquela região, conforme os padrões do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC). O Cemadec conta ainda com informações compartilhadas pelo Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Salvador também contará com 38 pluviômetros automáticos, 23 a mais do que no ano passado, e seis sistema de alerta e alarme. Quem mora em área de risco também receberá avisos de situações de perigo via mensagem SMS.  “Temos o que há o que há de mais moderno no Brasil à disposição da Defesa de Civil, que procura oferecer não só eficiência e precisão ao trabalho, mas também segurança ao cidadão, que é a nossa principal preocupação”, disse o prefeito ACM Neto.

Trabalho coletivo
A comunidade irá reforçar o time da Defesa Civil. Foram treinados 432 voluntários para auxiliar os moradores em situações de risco, para realizar atividades como evacuação, abordagem de moradores e primeiros socorros.

O metalúrgico Claudionor Ferreira, morador de 7 de abril, conta que já viu situações de deslizamentos de terra no seu bairro e que depois do treinamento já sabe como agir. “Já tivemos deslizamento aqui, a encosta caiu e o morador se machucou só um pouco. Tô torcendo para que não aconteça algo mais grave, mas se tiver eu tô pronto pra ajudar”, conta.

Outro anjo do bairro em que mora será o estofador Manoel dos Santos Souza, mais conhecido como Nezo. Sua casa fica bem em frente de uma das sirenes de alerta instaladas pela Codesal e ele já começou a atuar na prevenção de acidentes.

“A gente tem que prevenir antes que aconteça. O Estou orientando o povo a não jogar lixo na pedreira (que fica em uma área de risco), a sair das encostas. É melhor ir para uma casa mais segura”, explica. Quem quiser ser voluntário, pode se cadastrar no site www.codesal.salvador.gov.br.

Para reforçar o trabalho junto aos bairros, foram instalados 21 unidades de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nudpecs), onde a vizinhança vai ajudar na evacuação em caso de risco eminente de escorregamento de terra. Moradores de seis comunidades, como da Baixa do Fiscal, também passaram por simulados de evacuação e foram orientados de quando deixar a casa e receberam indicação de lugares seguros para ir em caso de chuva.

O prefeito ACM Neto reforçou a importância de as pessoas deixarem as suas casas em caso de ameaça de desabamento ou de deslizamento de terra. “Não há necessidade de uma família permanecer em um imóvel situado em uma área de risco. A Prefeitura se dispõe a dar toda a assistência, seja num primeiro momento, acolhendo em um dos nossos centros de atendimentos e hoteis sociais, ou num segundo momento, em  que a família seja cadastrada e passe a receber o aluguel social”, esclareceu o prefeito.

Para prevenir acidentes, funcionários da Prefeitura refizeram todas as vistorias nas áreas de risco que foram desocupadas nos dois últimos anos. “Nossa principal preocupação é que uma família que tenha sido evacuada e que depois e que tenha voltado àquele mesmo imóvel e fique vulnerável de novo”, disse Neto.

Outra medida de prevenção adotada foi a realização de vistorias em 240 mutirões no Centro Histórico, poda e remoção de 8.665 árvores, 33 ações de limpeza e dragagem de canais, 201 desobstruções de drenagem, recuperação de 219 pontos de drenagem e de dez escadarias e aplicadas 1.294 toneladas de asfalto na Operação Tapa-Buraco. Além disso, a Limpurb recolheu 554 toneladas de lixo em 232 localidades do Município.

O prefeito também destacou que o trabalho que combate aos efeitos da chuva é coletivo e não depende só da Prefeitura.  “Ele depende muito do engajamento, do conscientização dos moradores da nossa cidade”.

Previsão
A meteorologista do Inmet, Marinês Cardoso, ressalta que não é possível prever o quanto vai chover em um certo dia. “O que é a gente pode prever é se vai chover ou não, se a chuva vai ser forte ou fraca, mas não o volume exato de chuva que vai cair”, explica.  Segundo ela, só é possível trabalhar com uma média histórica do volume de chuvas.

O prefeito ACM Neto destacou que esta incerteza é um dos grandes desafios da Operação Chuva e foi justamente o que aconteceu no ano de 2015, em que houveram mais de 20 mortes causadas pelas consequências das fortes precipitações, muito acima da média prevista.

“Hoje podemos garantir à população de Salvador, que sendo chamados, a gente está preparado para enfrentar os desafios. Ninguém pode dizer que vai acontecer um novo episódio grave e com vítimas, mas hoje posso dizer que a cidade está muito mais preparada”, comentou.

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