Semana Santa: o peixe varia até 266%.

Comprar o principal alimento da Semana Santa a um valor mais em conta pode exigir que os consumidores gastem sola de sapato. Os preços de peixes em 11 estabelecimentos da capital baiana, entre supermercados, colônias de pescadores e a Ceasa do Rio Vermelho,a variação é de até 266%.

Entre os frutos do mar, o número chega a 250%. Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que os itens da cesta de Páscoa estão, em média, 15,17% mais caros este ano. A sardinha é o peixe com maior diferença de preço.

No Terminal Pesqueiro da Ribeira, o pescado fresco está sendo comercializado por R$ 3 o quilo, mas chega a ser encontrado por até R$ 8, em um dos estabelecimentos  visitados. Já o quilo do dourado chega a variar até 189%. Em colônias de pescadores, o peixe pode ser encontrado por R$ 20,  quase a metade  do valor cobrado  em outro estabelecimento, no qual o quilo custa R$ 37.

Entre os frutos do mar, os preços chegam a variar mais de 250%, como  é o caso do catado de sururu. No estabelecimento mais barato, o quilo foi encontrado por R$ 15, mas o mesmo produto pode custar até R$ 37,99 em alguns supermercados.

Preços vantajosos
Até o meio-dia de hoje, é possível encontrar pescados com preços mais em conta no Terminal Pesqueiro da Ribeira, onde acontece a segunda edição do Santo Pescado, promovida pela Bahia Pesca. O evento, que começou ontem, está reunindo colônias, associações e cooperativas de pescadores.

Segundo o presidente da Bahia Pesca, Dernival Oliveira Júnior, a ação visa estimular o aumento  do consumo de pescados por meio da redução dos preços em até 60%. “Até amanhã [hoje] vamos comercializar sete toneladas de peixe e temos a expectativa de atender três mil pessoas durante os dois dias de evento”, destaca.

Pouco menos de duas horas após a abertura do evento, mais de 85 senhas já tinham sido distribuídas para os consumidores. Segundo o presidente da Cooperativa Baía de Todos os Santos, José Dalmo,  mais pescados estão chegando ao Terminal da Ribeira a todo momento.

“A corvina é um dos peixes mais procurados pelos consumidores. A gente costuma vender por R$ 16, mas hoje está saindo por R$ 12”, ressalta. O vigilante Jaime Sales aproveitou o dia de folga para conferir as promoções e comprar o peixe da Semana Santa.

“Cheguei às 7h e consegui comprar 5kg da pescada amarela. Costumo comprar o quilo por R$ 25, mas aqui está saindo por R$ 16. A corvina também está com preço bom”. Já a aposentada Lurdes Silva confessou que imaginava que os preços estariam mais baixos. “Vou comprar menos do que pretendia. Moro no Uruguai e compro na minha porta por preços bem parecidos”, diz.

Foi o preço da pescada amarela que motivou a operadora de caixa Cristiane Candeias a ir ao Terminal da Ribeira na manhã de ontem. “Acabei não encontrando mais, mas estou levando corvina, caçonete, camarão e filé de sardinha. O valor dos peixes está bom, mas o preço dos frutos do mar não está compensando”, afirma.

Segundo ela, no Mercado do Peixe de Água de Meninos, o quilo do camarão sai por R$ 17, enquanto no Terminal da Ribeira estava custando R$ 20. A cobrança de R$ 2 por quilo, para tratar o peixe comprado no Terminal, desagradou Cristiane. “Só vou pagar para tratar o caçonete, que já vai me custar R$ 6. Os outros vou limpar em casa para não gastar mais”, completa.

Câmbio deixa o almoço de Páscoa 15,7% mais caro
A influência do câmbio – com real desvalorizado em relação ao dólar – encareceu em 15,17% a ceia da Páscoa, em relação à festa ano passado. De acordo com pesquisa divulgada ontem (22) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a taxa supera a inflação nos últimos 12 meses até fevereiro deste ano, que atingiu 10,37%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV.

Itens importantes da Páscoa e que são importados, como vinho, azeite e bacalhau, devem ficar no mímino 25% mais caro do que em 2015 por conta da interferência da alta do dólar.  E não vai adiantar muito substituir os itens importados pelos nacionais, como afirmou o economista da FGV André Braz.

“Mesmo que os produtos nacionais não sofram influência direta do câmbio, acabam subindo de preço, porque acompanham o preço dos concorrentes. Então, o consumidor vai encontrar também esses itens tradicionais da Páscoa muito mais caros”. Até os acompanhamentos ficaram mais caros.

“As batatas, a couve e a cebola seguem caras por conta da estiagem”, completa. Para ele, se quiser economizar, o consumidor vai ter que sustituir alguns produtos tradicionais ou  dividir a despesa com as pessoas que vão participar do almoço da Semana Santa.

“É uma forma de não pressionar o custo de vida de todo mundo”, explica. Outra sugestão é procurar marcas alternativas e pesquisar bastante. “É procurar promoções e buscar  um nível de preço mais baixo”, diz.

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