Novidade da folia, desfile do Fuzuê terá blocos acústicos antigos como Jacu e Barão

Era 1964 e a irreverência tomava conta da avenida. Um grupo de jovens, reunido em um bloco recém fundado, resolveu escrever a seguinte provocação na faixa que ia à frente dos integrantes: “Há Jacu no pau”. As famílias tradicionais ficaram escandalizadas com a estreia do Bloco do Jacu. A polícia prendeu boa parte dos que participavam do desbunde. Um desbunde que durou 22 anos.

Agora, mais de cinco décadas depois, há Jacu no Pau, ou melhor, no Carnaval, mais uma vez. A essência daquele primeiro desfile estará na avenida esse ano. Com algumas rugas e dores lombares, o Jacu está de volta. É um dos dez que participam do Fuzuê, projeto criado pela prefeitura com o objetivo de fortalecer o Carnaval de rua.

Acompanham o Jacu outros blocos e grupos tradicionais como Barão, Paroano Sai Milhó, Commanche do Pelô, Mascarados de Maragogipe, Pierrô de Plataforma e muito mais. O compositor Walter Queiroz, um dos fundadores do Jacu e idealizador do Fuzuê, que sairá no pré-Carnaval da Barra, no dia 30 de janeiro, parece que voltou a ter os mesmos 16 anos daquele dia em que passou a noite em cana.

“Fico muito, muito feliz de participar desse momento de redemocratização do Carnaval. Não temos a intenção de retornar para ficar. A ideia é só matar a saudade”, garante o líder do Jacu, imortalizado pela sua mortalha azul turquesa.

Acústicos
O Fuzuê, explica Walter, surgiu a partir de uma decepção com o Furdunço no Carnaval passado, quando o Jacu também foi para a rua. Acontece que, na oportunidade, blocos acústicos como o Jacu e todos os outros que estarão no Fuzuê tiveram que conviver com os blocos eletrônicos, alguns minitrios, outros trios de verdade.

“Constatamos que o acústico e o eletrônico são incompatíveis. Agora, teremos a chance de desfilar só os acústicos. É o chamado ‘mão na mão, pé no chão’”, comemora Walter, citando o antigo bordão.

O Fuzuê chega para carimbar o tema do Carnaval desse ano: “Vem curtir a rua”. A ideia é justamente devolver a maior festa do planeta para o povo e para a avenida, com acesso garantido para todo o tipo de gente. “Resgatar essas entidades é recriar o Carnaval mais intimista e próximo do povo. Nosso Carnaval tem espaço para todos os carnavais, inclusive esse, que é extremamente democrático”, afirma o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Eddington, um dos responsáveis pela organização dos dez dias de festejo que Salvador terá, contando o pré-Carnaval e a folia oficial, este ano.

A turma do Paroano Sai Milhó, que no repertório toca músicas da MPB de forma acústica e em ritmo de Carnaval, também está empolgada. Na fila do Fuzuê, defende um Carnaval para todos, sem que para isso os trios elétricos acabem.

“Não precisa tirar o trio. Mas o Carnaval precisa dar acesso a outras pessoas, além de oferecer experiências diferentes a quem já gosta do trio. Estamos vivendo um momento importante”, avalia Lindberg Macedo, 64 anos, o Beguinha, um dos líderes do Paroano, que esse ano completa 53 carnavais.

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