Em 71 dias, Bahia já tem 38 caixas eletrônicos explodido

  • Em um dos episódios na capital, por volta das 4h do dia 5, foram destruídos dois terminais do Brades

Nos primeiros 71 dias de 2014, a Bahia foi alvo de 38 explosões de caixas eletrônicos, segundo levantamento do Sindicato dos Bancários do Estado. O número equivale a aproximadamente uma ação criminosa a cada dois dias. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 171% nas ocorrências.

Os ataques foram registrados até o dia 12 passado. Em 2013, até a mesma data, 14 equipamentos foram explodidos. A preferência dos assaltantes é por cidades do interior do estado. Apenas dois casos ocorreram na capital.

No episódio mais recente, 15 homens armados cortaram a energia elétrica na cidade de Macaúbas (a 632 quilômetros de Salvador) e explodiram a agência e o terminal eletrônio do Banco do Brasil.

Para Euclides Neves, presidente do Sindicato dos Bancários, o quantitativo de ocorrências é “superelevado”: “É preocupante. Há responsabilidade dos bancos, que investem mais em tecnologia para evitar golpes na internet do que em segurança. Já o governo tem que adotar medidas no controle dos explosivos e investir na inteligência para descobrir as quadrilhas que estão agindo”, destacou.

Custo-benefício

Coordenador do Grupo Avançado de Repressão a Crimes Contra Instituições Financeiras (Garcif), o delegado Rusdenil Franco afirmou que não poderia se manifestar sobre os dados do sindicato. “Não posso comentar sem saber qual o fundamento que eles trabalham”, disse.

O delegado, no entanto, não informou, até o fechamento desta edição, os números oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA).

Franco comentou que há uma série de fatores que contribuem para a incidência no interior. “Tem a nossa situação geográfica, com locais que favorecem a atividade. Não diria que o policiamento é menor. O efetivo é adequado ao número da população. Os assaltantes procuram onde tem o melhor custo-benefício”, afirmou.

O delegado informou que estão ocorrendo reuniões estratégicas com bancos para que instalem câmeras com melhor visualização à noite e sistemas de proteção para cofres e agências. “Alguns bancos estão atendendo”, disse.

Diferentemente do delegado, o titular da SSP, Maurício Barbosa, disse, em reunião do programa Pacto pela Vida, na semana passada, que as instituições financeiras não estão tomando providências para prevenir as explosões.

Atrativo

De acordo com o secretário, as investidas começaram há quatro anos e viraram atrativo para quadrilhas, devido à facilidade de acesso, durante as madrugadas.

“Hoje, são três a quatro quadrilhas responsáveis por 75% das ocorrências deste tipo de crime na Bahia. Estamos exigindo um termo de ajustamento de conduta (TAC) para que os bancos invistam de forma a termos meios mais modernos de prevenir os ataques”, ressaltou Barbosa.

O secretário afirmou, ainda, que o governador já cobrou ações como incineração ou inutilização de notas, mas que instituições bancárias e o Banco Central não aceitam.

Segundo o procurador de justiça Geder Gomes, será finalizado um termo de cooperação técnica com a Febraban, Exército, Ministério Público do Estado, polícias Federal, Rodoviária, Civil e Militar para “atuação sistêmica do estado e instituições bancárias no enfrentamento a estes tipos de crimes”. A data para finalização, no entanto, não foi divulgada.

Diante das críticas, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informou que vem acompanhando os ataques a caixas eletrônicos com “extrema preocupação” e os investimentos em segurança física são “elevados”. De 2003 para 2013, os recursos investidos passaram de R$ 3 bilhões para R$ 9 bilhões.

“É necessário impedir que os bandidos tenham acesso fácil a explosivos, como vem acontecendo há três anos, e desbaratar quadrilhas com ações de inteligência”, ressaltou a entidade nacional.

Bando desarticulado

Na última quinta-feira, uma operação conjunta das polícias Civil e Militar resultou na prisão de 12 homens, suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em roubos a caixas eletrônicos.

Composto por seis paulistas, quatro baianos, um cearense e um pernambucano,

o grupo foi desarticulado quando se preparava para assaltar três caixas eletrônicos na cidade de Esplanada e região, segundo a polícia.

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