BAHIA E VITÓRIA: Em ótimas mãos

Marcelo Lomba e Fernando Miguel. Além de goleiros e capitães de seus times, o que eles têm em comum? São, atualmente, as principais referências de Bahia e Vitória, tanto para os companheiros como para os torcedores. Fizeram por merecer.

Fernando Miguel conquistou o posto ano passado, após uma temporada marcada pela superação. Começou 2015 como quarto goleiro do Vitória, atrás de Wilson, Gatito Fernández e Gustavo. Após problemas médicos do trio de concorrentes, teve pela primeira vez uma sequência de jogos pelo clube e não desperdiçou a oportunidade. Fernando Miguel transformou desconfiança em segurança com defesas espetaculares, principalmente em cobranças de pênaltis. Mas não foi só por isso.

Sem alarde e com conduta exemplar, dentro e fora de campo, Miguel assumiu a postura de líder do grupo. Foi crucial pra manutenção do bom ambiente do vestiário até quando não podia jogar – se machucou no segundo turno do Brasileiro da Série B.

Homem de confiança de Vagner Mancini, teve o protagonismo na temporada reconhecido pelo chefe. O técnico colocou Fernando Miguel no último jogo do ano passado, contra o Luverdense, em substituição a Gatito Fernández, só para ele ser ovacionado pela torcida que lotava a Fonte Nova. Merecido.

A fase espetacular de Gatito no retorno à titularidade e a grande forma de Fernando Miguel antes da lesão eram prenúncio de uma briga acirrada pela camisa 1 rubro-negra neste ano. Mas o paraguaio foi embora. Caminho livre para Fernando Miguel reassumir o gol.

Sem rivais à altura, Fernando Miguel começa tranquilo aquele que é o ano mais importante de sua carreira. Aos 32 anos, o goleiro pela primeira vez vai disputar a Série A do Brasileirão. O desafio é mostrar a mesma eficiência que ajudou o Vitória a subir, agora contra os principais atacantes do país. Não faltarão confiança e apoio. Com as saídas de Rhayner e Escudero, o camisa 1 é o jogador mais respeitado pela torcida.

A história de Lomba no Bahia teve início em 2011. Também com desconfiança. Mas ela passou rápido. Naquele mesmo ano, foi o melhor jogador do time que conseguiu se manter na Série A do Brasileiro. Na temporada seguinte, herói na conquista do Baianão, que tirou o Bahia de uma fila de 10 anos. Mas, em 2014, apesar de ter ganho o estadual de novo, a relação com a galera ficou abalada. O ídolo foi um dos responsáveis pelo rebaixamento. O próprio admite que falhou além da conta. Virou vilão.

Sem que muita gente por aqui lamentasse, Marcelo Lomba saiu em 2015 para fazer um ano espetacular pela surpreendente Ponte Preta. De longe, fez a torcida clamar por seu retorno. A instabilidade dos substitutos e a falta de liderança no vestiário também mostraram que a volta do paredão era mais que necessária. Cobiçado por clubes do Brasil e de fora, Lomba não parecia disposto a tenta reatar um relacionamento outrora estremecido. Mas a diretoria tricolor bateu pé firme e não o liberou por mixaria. Agiu corretamente.

Este ano, Lomba vai viver situação exatamente oposta à de Miguel. Enquanto o rival estreia na elite, o goleiro tricolor disputará pela primeira vez a segundona. Para quem duvidava da motivação e comprometimento do goleiro nesta nova etapa no Fazendão, Lomba deu a resposta no último domingo – atuação sobrenatural na vitória fora de casa sobre o Santa Cruz, o jogo mais difícil de 2016, até aqui.

Ainda dá para cravar poucas coisas de Bahia e Vitória neste início de ano. Uma delas é que os nossos dois maiores clubes estão em ótimas mãos.

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